17 de jun de 2010

Direito

Criei este blog com a intenção de não abordar aqui assuntos relacionados a minha profissão, pois meu objetivo é postar sobre outras coisas que gosto, fugindo um pouco daquilo que me rodeia 24h!

Mas diante dos últimos acontecimentos não posso deixar de escrever aqui sobre o meu desencanto, sobre a forma desleal com que vem sendo tratado os recém graduados em Direito. Mas precisamente, falo sobre o EXAME DE ORDEM DA OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

É público a todos que nos últimos anos o ingresso à universidade, sejam elas públicas ou particulares (em sua maioria), tem se tornado mais acessível. Ponto positivo - quanto mais pessoas respirando este universo acadêmico, acredito que seja positivo para o país, mas, como tudo na vida tem o seu lado + e -, essa explosão de centros universitários, faculdades daquilo, cursos daquilo outro, enfim, não poderia ter um resultado em todo favorável. O MEC libera o funcionamento de milhares e milhares de faculades (até aqui não vejo nada demais), sem a real análise da quailidade desses cursos (e aqui mora o perigo).

Lembro quando fui fazer meu primeiro vestibular, aqui em Salvador (tudo bem vou dizer o ano, 1996, ou seja, quase um debutante) existiam entre públicas e particulares a opção de 05 grandes faculdades), isso mesmo, contando aqui nos dedinhos... hoje se eu fosse me inscrever teria que ganhar na mega-sena para pagar tanta inscrição, ah, mas tem algumas que basta levar algum produto para doação e pronto, tá inscrito. SERÁ QUE ESSE "BOOM" FOI POSITIVO?

Minha primeira graduação, em Secretariado Executivo, realizei na UFBA, universidade pública de grande importância no Estado. Ano passado me formei em Direito por uma faculdade particular - diferenças muitas, pontos em comum idem, mas a única certeza que tinha era quê, independente da instituição, o ALUNO FAZ A FACULDADE.  Isso é verdade, mas boas ferramentas (estrutura, docentes, relação aluno-instituição) ajudam, e muito.

Mas, o que eu queria escrever hoje aqui, é que, atualmente, existem milhares de pessoas graduadas em Direito que não podem ser consideradas mais como estudantes, e nem tão pouco atuar como advogados pois precisam da aprovação da prova de proficiência da OAB (não entrando aqui no mérito da inconstitucionalidade ou não desse exame).

No último domingo mais de 98 mil inscritos realizaram o exame que custou a "módica" quantia de R$200,00, isso mesmo... veja bem, eu não posso trabalhar na minha área, não posso mais estagiar e tenho de desembolsar este valor para, aí sim, começar a minha carreira, porque os 5 ou 6 anos que você estudou na faculdade, em que foi constantemente e gradualmente avaliado não importam, para ser "doutor" tem de prestar um exame com 100 questões que avaliam o grau de memorização (famoso decoreba) daquele candidato que tenha o super poder de gravar na sua mente a "letra da lei" das 15 disciplinas, ou então desvendar as muitas pegadinhas,  que raciocínio lógico e jurídico que nada, isso não tem importância... 

No dia 13/06/2010 esses muitos candidatos, e aí me incluo, tomaram uma rasteira, mas daquelas que a criatura sai catando ficha, procurando aonde se segurar e nada, cai, de cara no chão... Provas são para avaliar se aquele indivíduo possui a capacidade de desempenhar o papel a que se propõe, e essas provas podem ser fáceis, medianas, difíceis, enfim, quantas e quantas vezes não somos avaliados em nossas vidas, mas ainda me questiono se no último domingo eu fui submetida a esse tipo de avaliação, acho que não, talvés não seja interesse jogar no mercado 98 mil novos advogados, mas sem dúvida, permitir que "trozentas" novas universidades e faculdades sejam abertas, ah, isso sim PODE!!!!

Desistir de nossos objetivos, jamais! Parabéns àqueles bravos guerreiros que conseguiram ultrapassar essa etapa, mas, Lutemos sempre pela verdadeira justiça!
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Um comentário:

  1. Alguns concursos tendem a ser desleal com os candidatos. Acredito que o segredo não seja reprovar ninguém, mas condicionar pessoas a trabalhar com vidas.
    Há muito o direito deixou de ser introspecto, rígido e concreto; vivemos num mundo humanizado e globalmente integrado com as pessoas; as redes sociais que o digam! Mas ao invés de tratar cada peculiariedade do ser humano dentro de suas especialidades "eles" querem "máquinas de decorar". Tem sido assim comigo e o Ministério Público!
    Repito como na mensagem comentada pela Dra. Márcia Parente - NUNCA DESISTAS DO TEU SONHO!

    Parabéns pelo blog, pela fé em Deus e sua sabedoria.

    Rau Ferreira
    Blog: "A Estética do Direito"
    http://aesteticadodireito.blogspot.com

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